O fundo negro apavora a alma,
Perde-se por um momento a serena calma,
Ante o fatal mergulho,
Nas profundezas incertas,
Do poço sem fundo da negritude incógnita.
São paredes espessas,
Adornadas medrosamente com pedras pontiagudas,
De cheiro fétido e atmosfera lúgubre,
Onde o olhar de pânico e pele imunda,
Compõem o ambiente surreal,
Posto à vista como um quadro de arte seminal.
Erro fatal!
Esfera opaca que toma de assalto à mente,
Rio sem fim…
Retalhos de pensamentos e vida indecente,
Retratos que formam à existência,
São como sonhos alados,
Povoam o ideário,
São um porto isolado,
Em que abriga o eu interior,
Como um segredo lindo,
E muito bem guardado,
A espera ser tocado,
Para enfim ter o cerne revelado.
E o que ficam!
São passagens ricas e surreais,
Paradoxais!
Na maestria da excelência,
Fazem parte da vida.
Linhas coloridas riscam o céu da alma,
Planam e pululam ao léu,
Deixam a doce sensação saborosa do mel,
E quando chega-se ao fim,
Fica o desejo profundo com gosto de fel,
Que o final do abismo aportou.