O Pensar de Heráclito de Éfeso
A filosofia nos convida a pensar. É na tradução livre do próprio termo, “amor ao saber”. E esta nova forma de pensar floresceu na Grécia Clássica, em meados do século VI a.C. aproximadamente. A Escola de Pensamento da Jônia (parte integrante da Grécia Antiga), arbitrariamente falando foi a que produziu os primeiros pensadores e questionadores dos fenômenos ocorrentes no Universo e em tudo que nos cerca. Tales, Anaximandro, Anaxímenes e obviamente Heráclito de Éfeso.
Explanar na forma conclusiva o conteúdo do pensar heracliano dentro do contexto histórico e o seu pensamento filosófico, atrelado a sua cosmovisão, na qual é centrada no “fogo” cósmico e no Logos uma entidade abstrata e poderosa do Universo. O fluxo das mudanças é a tônica no pensamento de Heráclito de Éfeso. Que é um pensador obscuro e único! Um filósofo que flertava com a razão e nos legou seu pensamento em “fragmentos” textuais cheios de incógnitas e sutis revelações reflexivas. Complexo, dinâmico e misterioso, às vezes irônico e irascível, sem dúvida nenhuma são alguns atributos predicativos de Heráclito que deixam rastros da sua personalidade.
Heráclito nitidamente flertava com a razão. Dono de um linguajar obscuro e de conceitos pouco claros, ele desafia a interpretação moderna, assim como já era um verdadeiro enigma já no seu tempo. Era além de obscuro, refinado e maravilhoso, desperta nos seus leitores e estudiosos sentimentos antagônicos. Heráclito é um notável caso de interrogação.
Haráclito fazia alto uso da razão e objetividade, dado que não tinha afeiçoamento a hipóteses, na qual muito provavelmente considerasse como “falácias”. A respeito da vida de Heráclito muito pouco ou nada se sabe, era natural da cidade grega de Éfeso na Jônia e teve contato com os saberes de Tales de Mileto e das civilizações orientais. Seu nascimento em Éfeso é geralmente datado por volta de 540 a.C., contudo, embora isso seja provavelmente correto, está muito longe de ser seguro, dada à carência de provas. Denota-se nas fontes pesquisadas e trazidas a luz, que Heráclito tinha um notório desprendimento de “coisas materiais” e honrarias, demonstrava sim certo “orgulho” e “ignorava” as pessoas, tendo uma personalidade única.
Da obra “filosófica” de Heráclito não restou um compêndido ou mesmo livro integral. O que ficou preservado foi uma porção de fragmentos “obscuros”, dotados de certa desestrutura racional.
A metafísica pode ser entendida sem prejuízo terminológico como o aspecto a priori e a posteriori da razão, para o além do materialismo mundano regido por regras físicas. É um termo que indubitavelmente assume vários sentidos diversos, poderíamos dizer polimorfo. De acordo com o pensamento heracliano muito saber tendia a perverter a própria objetividade e a curiosidade de descobrir das coisas do mundo. Não levava a nada, pois deixava-se de seguir o Logos correto, isto é, a essência de tudo.
Heráclito teorizou a respeito do princípio das coisas, que para ela era o “fogo” agente das mudanças de um Universo que sempre esteve ali presente. Contudo são as manifestações nas suas diferentes facetas do fogo heracliano que promovem às mudanças e fluxos de processos que ocorrem no Universo, incluindo a geração da matéria.
O fogo teorizado por Heráclito que se personifica como agente de mudança e rege os processos de fluxos dos eventos no Universo, é, contudo descrito e fatal destino final desembocado no Logos. É o Logos, portanto que para Heráclito age como “elemento” para verdadeiramente promover as mudanças e dar o tom no fluxo das coisas. A “mudança” em Heráclito tem lugar cativo, tudo muda a cada instante num Universo que sempre esteve ali. É uma rica obra de sua mente obscura, prodigiosa e empiricamente racional.
É comum e rotineiro achar construções textuais de frases e pensamentos os cativantes dizeres que são adaptados do saber heracliano: “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou…” O que clarifica que o Logos na visão de Heráclito é o agente de mudança no Universo, podendo-se entender finamente como a razão, enquanto capacidade de saber e raciocínio.
Vivemos num Mundo em constante mudança e onde a única tônica verídica é personificada na sua constância é a “mudança”.