DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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O ser humano munido de sua inquebrantável racionalidade é deveras um expectador imparcial quando colocado numa posição per se fora do círculo de acontecimentos que abarca um determinado julgamento, seja ele material ou abstrato. Quando se julga a respeito de uma contenda ou mesmo em um processo de escolha genérico. A citar-se aqui inclusive um trâmite de pleito eleitoral por exemplo. Normalmente o ser humano conjuga racionalmente por meio de deduções mais ou menos logicistas sob forma estreita com as noções que formam um corolário de racionalizações difusas, tendo em si uma notória distinção entre o que é possível auferir entre a racionalidade axiológica e a racionalidade instrumental. Enfim! São todas noções que podem com grande grau de certeza exprimir de forma íntima um modelo pautado na razão do ser humano.

O relativismo pode sem sombra de maiores dúvidas, caracterizar-se por um ponto de vista da pessoa a respeito do conhecimento das normas e dos valores. É preciso levar-se em conta quando pensamos no relativismo filosófico e, portanto pertinaz ao próprio pensamento humano em si e seus desdobramentos resultantes, que vão desde o simples engendramento abstrativo até o materialismo da ação. Efetuando o discernimento a respeito do universal sob o singular, tendo em sim uma visão mais macro da coisa. E superar o obstáculo proposto pela visão binária que consiste basicamente em privilegiar um dos termos em detrimento de outro, sem passar pelo escrutínio inferencial logicista. E geralmente é uma escolha totalmente arbitrária e calcada em valores irracionais e sentimentais, ou mesmo difusos que encobrem a razão. Entende-se aqui razão como o pensamento “verdadeiro” e “reto”, além de ser pautado no que denominados popularmente de bom-senso.

 Já no campo da vida política, a mesma é sumariamente descrita pelas teorias filosóficas que se instalaram em meados do século XIX, baseadas em conflitos de interesses de grupos e de influências ideológicas afins. E dentro deste contexto amplo e ideológico, nem sempre o julgamento do expectador imparcial foi determinante. Pois, ao se lançar um olhar pitoresco a respeito das visões ideológicas pautadas no pensamento de Marx, Nietzsche e Freud no que concerne às ciências humanas. É imperioso destacar que um grupo não muito significativo de bons oradores e se diria ferrenhos defensores tenham deveras obtido êxito em bem mantê-las em um estado de sobrevivência artificializada na segunda metade do século XX. São ideais que têm conhecido certa influência e conservado lugar cativo nos círculos de pensamento modernos inclusive. É uma leitura ideológica que na sua versão pura sempre foi muito difundida na esfera filosófico-cultural do mundo intelectual, na mídia e na política, nos propagadores de ideias, e muito menos junto ao público, isto é, o expectador imparcial. É uma ideologia já moribunda e que tendem de forma inexorável a perder seu quinhão atrativo, pois há uma compreensão no seio da sociedade de forma gradativa que conduz a um relativismo estéril.

Doravante é preciso salientar que um aspecto importante afeta diretamente a vulgata ideológica vigente (marxista principalmente), na qual pautava grande parte da vida intelectual e política. As novidades tecnológicas que revolucionaram a forma de comunicação, a citar, por exemplo, uma circulação maior e mais dinâmica de informações via internet, por meio das redes sociais; e anteriormente até por meio de mensagens dinâmicas, web sites, blogs e correios eletrônicos. Isso ameaça cabalmente as estruturas já antigas, conformistas e conservadoras do pensamento político. É, portanto um contrabalanceamento da capacidade de pequenos grupos organizados imporem via razoabilidade e aceitabilidade do expectador imparcial, às suas concepções aos grandes grupos (compostos pelo expectador imparcial) na qual a priori são alheios ou não tem uma opinião clarificada a respeito. Claro que não se deve sonegar que a dinamização da tecnologia da informação e seus desdobramentos “deram vozes aos idiotas”, por meio da liberdade de expressão e facilidade com que se publicam ideias e parcos dizeres em web sites, blogs e redes sociais. Mas afinal? Relativizar também significa ponderar, dar voz a todos e considerar a pluralidade opinativa. Relativizar é achar o meio termo e sintetizar os pontos de vistas dissonantes numa síntese racional “reta” e significativamente interessante.

Tudo isso perfaz de forma avassaladora um apoio subjacente à democracia representativa, por intermédio da então assim denominada de democracia de opinião. Já que a democracia representativa não significa na sua gênese basilar, uma democracia plena.       

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 29/08/2025
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