DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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O vinte de setembro personifica a data maioral do Gaúcho. É a pedra angular na qual se assenta o desenvolvimento de uma cultura pura e natural. O sentimento identitário do Gaúcho foi forjado em refregas e batalhas na zona fronteiriça do Brasil colônia do cone sul, e que se prolongaram no período do Império, dando seus últimos lampejos já na era Republicana no alvorecer do moderno século XX.

Celebramos no vinte de setembro a "odisseia farrapa" os feitos que ecoam  pelas coxilhas, não se esvaem nas areias finitas do tempo; pelo contrário eles ainda estão vivos na nossa célere memória coletiva. E fazem parte do que entendemos como "Gaúcho" de fato, são acréscimos substanciais de uma cultura que se move e reinventa-se através dos tempos. Em cada manifestação cultural que permeia nossa rica tradição fica a marca da labuta e da superação, do passado glorioso e reflexivo, do presente que vivenciamos e o dinâmico futuro aberto que se avizinha logo ali. Somos viajantes, passageiros munidos de uma passagem só de ida e, no entanto, nos esquecemos da efemeridade e raridade da vida humana. O que faz que tenhamos então a vã noção de eternidade a nos aplacar de forma errônea. Os homens as mulheres, os heróis as heroínas tombam, não são eternos, o que fica é o legado, a obra perene como um cristal translúcido.

O Rio Grande do Sul, desperta sentimentos, atiça a magia e personifica materialmente a realeza do se povo! E ao mirar às campinas na linha do horizonte somos praticamente impelidos a poetizar como um réquiem fatalístico.

Quando olho pro Rio Grande,

Uma brasa arde no coração,

É um sentimento sem par,

Que rememora a tradição.

E uma angústia tropeira,

Toma conta de mim,

A mirar o horizonte sem fim...

São as campinas se abrem num verde oliva,

Algo que consome pouco a pouco por dentro,

É a saudade; à peça altiva.

Personificada na fatídica e intrigante magia,

Que envolve sinestesicamente,

Esta Terra xucra, dura,  inóspita e de alegria.

E põe duramente a prova qualquer peão,

Que se aventura nos pagos livres,

Deste valoroso rincão.

O Rio Grande...

Terra mui buena,

Continente perdido de São Pedro,

Entre os paralelos do hemisfério Sul,

Tem na tez do seu gaúcho continentino,

A realeza da mais alta galhardia,

Moldada na rudeza desta Terra,

Povoada de encantos e belezas que anuncia,

O nosso torrão!

Fina flor de potente alegoria,

Pedaço de chão de rica cultura,

E enobrecedora tradição.

 

 

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 22/09/2025
Alterado em 23/09/2025
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