A Ciência é um empreendimento humano e como tal está invariavelmente sujeita a progressos, retrocessos e eventuais erros. A Ciência praticamente dita o nosso ritmo diário, as suas bases solidificadoras, pautadas na resposta a um problema fenomenológico (natural ou social), em que se aventam hipóteses, consulta-se o conhecimento já estabelecido e por meio de experimentação chega-se a uma tentativa de resposta. Este é de forma resumida o famoso "método científico", já teorizado e posto de certa forma em prática desde meados do século XVII. Quando se fala de método científico é uma temática que rememora ao italiano Galileu Galilei na qual adaptou o telescópio para observações astrais além de conduzir uma série de experimentos sobre às leis físicas. Bem como o britânico Francis Bacon na qual teorizou a respeito da metodologia para se chegar a uma verdade, partindo sempre de premissas hipotéticas consoantes a um problema. E o francês René Descartes um dos maiores expoentes da filosofia moderna e autor da obra "Discurso do Método".
Portanto é imperioso destacar que a Ciência tem os seus pés bem postos na dúvida e na falseabilidade de suas próprias teorias. Ela está fortemente vincada em dois aspectos que são bem prementes e a impactam fortemente, a citar: a racionalidade e o empirismo. E de certa forma o empirismo está implícito na Ciência sob forma da sua natureza que parte do pressuposto da experiência para atingir às respostas.
O filósofo britânico John Locke é considerado o "pai" da tradição filosófica do empirismo. Inicialmente foi cunhado este termo "empirismo britânico", na qual era nada mais nada menos que uma corrente opositora ao então racionalismo que tinha predominância em grande parte que compunha a Europa Continental.
Já o filósofo britânico nascido na escócia David Hume, tinha em mente um pensamento empirista de contornos céticos e naturalistas. O seu ponto central de estudo era a natureza humana e a experiência do sensível como parte genitora e solidificadora do conhecimento. Hume não tinha sua crença na casualidade e na metafísica, para ele a experiência era a única fonte de adquirir o saber, ao ponto que não há como ter-se certeza a respeito da realidade absoluta.
Então temos o empirismo como um movimento filosófico que está teoricamente assentado no fato de que todo o conhecimento é rebento da experiência, sendo um fruto direto dos sentidos da pessoa. E é justamente a experiência, isto é, a tentativa prática que faz o estabelecimento do valor de verdade e delimita o conhecimento além das suas próprias origens.
Na filosofia o pensamento empírico constitui-se numa teoria do conhecimento, na qual afirma que podemos atingir à sapiência via experiência sensorial, é como sentir o mundo e os seus fenômenos naturais. Personifica-se então como a experiência do real levada às últimas consequências. E em termos concernentes à Ciência, temos o assim denominado método científico indutivo que tem no seu bojo o aspecto de que a ciência como corpo de conhecimento, necessariamente deriva dos dados da experiência, para somente após estabelecer uma base teórica, calcada no que foi visto na prática.
Então a Ciência deriva muito mais dos saberes que são construídos a partir do ponto de interação e da percepção do mundo ao nosso redor, e não de ideias inatas ou mesmo da pura abstração lógica, como defendem veementemente outras correntes filosóficas.
O empirismo defende que toda a estrutura de pensamento e abstrativa humana, tem uma formação na experiência prática. Então quanto mais e intensas são nossas experiências, maior e mais amplo torna-se nosso conhecimento, além de profundo. Ao ponto que a ciência baseia-se em vários aspectos do empirismo filosófico prático, quando se apóia firmemente nos experimentos e consequentemente no cômputo dos dados resultantes da experiência para assim só estabelecer a verdade sobre uma hipótese. E assim consolidar e agregar o conhecimento sobre um problema fenomenológico.