DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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Nem tudo é movido e puramente explicado pela lógica simples e fria. Muito menos pelo rigorismo científico. Há outras formas de ver o mundo, que podem ser interessantes e igualmente efetivas. Não há como negar que são estes aspectos que permeiam as entranhas da civilização. De certo modo tudo o que não é explicado pelo processo dedutivo classificado como lógico-científico, colocamos na conta do flutuante campo da metafísica. Na qual consubstancia qualitativamente às questões de cunho fantástico e sobrenaturais.

Então nesta contextualização, tanto Platão quanto o seu discípulo Aristóteles (que de certo modo rompeu com o pensamento platônico), teceram importantíssimas colocações e teorizações sobre a metafísica, talvez as melhores feitas até hoje. A metafísica era sim um tema que assombrava as suas mentes profícuas e fortemente especulativas. Contudo delinearei de uma forma mais aguda e premente a respeito da metafísica de Platão, não que a aristotélica seja “inferior”, mas neste contexto cabe melhor para fins de exposição causal. Aristóteles é bom que se diga, é a principal figura da lógica na história, pois foi quem deu estrutura, sentido e aplicabilidade para este seminal ramo do conhecimento classificado como “ciência”.

Entretanto, falando da metafísica platônica é importante colocar que ela tem seu epicentro alocado na “Teoria das Ideias”. É uma argumentação que divide a realidade em dois aspectos: o mundo das ideias e o mundo sensível; o primeiro concerne ao que é inteligível e o segundo é pertinaz às coisas materiais. No mundo classificado por Platão de “inteligível” é que há às formas perfeitas e imutáveis, ou seja, o padrão por excelências das coisas; ao ponto que no mundo “sensível” há apenas uma cópia imperfeita das formas platônicas. Transladando isso tudo para o campo do conhecimento é então possível inferir de acordo com o que apregoa Platão que o conhecimento “verdadeiro” concerne ao mundo inteligível acessível apenas por meio da razão (logos). E referente ao mundo sensorial na qual experenciamos às coisas, concerne à opinião, portanto um conhecimento parcial e sem base sólida racional, diria um “achismo” conspurcado.  Platão literalmente “bate” numa barreira intransponível na questão metafísica. Ele coloca a razão como senhora absoluta e intermediária para o acesso ao mundo perfeito das “formas” (ideias), mas conforme já afiançamos a razão não explica tudo. É sim uma das explicações possíveis e válidas. Por que não! A metafísica vai além do campo racional. Ela ganha contornos meio que místicos e supra-lógicos.

Porém para Platão o Logos, personificava o divino, na qual concernia no mundo das ideias, algo totalmente antagônico à matéria do mundo sensível, que era algo corrompido, obscuro e incriado. Era uma cópia fajuta da perfeição divina das ideias. Como se pode dizer, uma mera questão de “opinião”.

O conhecimento de Platão reverbera na aurora dos tempos, a sua Academia ainda ressoa nas mentes modernas. A escola de filosofia que Platão criou ficou conhecida e ainda hoje empresta seu nome para diversos “institutos do saber” como “Academia Platônica”. A palavra “Academia” rememora à Grécia Antiga, e é um étimo que advém do grego – Akadimeia, termo utilizado para denominar um bosque de oliveiras, que ficava na periferia de Atenas e era dedicada à deusa do panteão grego Atena. Contudo o seu nome Akadimeia é associado ao herói mítico Akademos.

A Academia de Platão foi de certa forma uma proto-universidade, quando comparamos de forma análoga as universidades modernas.

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 06/12/2025
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