DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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A aventura humana na terra é pautada por marcos históricos, que nos fazem refletir a respeito da verdadeira face que incutimos ao desenvolvimento e aos progressos técnicos/científicos/cognitivos. Glamorizar-se de forma até exagerada das realizações da civilização, pode ser um exagero. Ignoram-se, porém oportunamente a súplica ardente dos oprimidos, dos excluídos que por um motivo ou outro, vivem na margem da sociedade moderna. Incluem-se neste martírio nações e povos inteiros, por mais que vivenciamos as benesses da ciência e tecnologia na qual melhoraram e muito às condições de vida das pessoas, há um contraponto severo, pois existe ainda muita gente em condições miseráveis de existência. São indivíduos vivendo em condições desumanas, privados das condições básicas; água consumível, comida e teto para habitar, e estatisticamente abaixo da linha de pobreza, são pessoas sem eira nem beira. Vítimas em muitos casos de governos autoritários massacrantes que tolhem as liberdades individuais e promovem a pobreza em nome de um poder ilusório e projetos estapafúrdios de governo.

Mas é claro que neste ínterim temos igualmente questões que retratam a nossa humanidade e marcam profundamente nossa aventura na Terra. A civilização anda a passos cambaleantes.

Os marcos históricos que pautam de forma voraz a civilização como conhecemos hoje, podem ser de forma nem sempre consensual classificados sob a seguinte égide: revolução ou invenção da agricultura, cerca de 10.000 A.C., invenção da escrita aproximadamente em 4.000 a 3.600 A.C., início da experiência democrática na Grécia Antiga, com grande explosão de conhecimento no mesmo período em 500 A.C (aproximadamente), queda do Império Romano no Ocidente em 476 A.C., fundação das primeiras Universidades na Europa nos séculos XI e XII, Renascimento, isto é o retorno e reinterpretação do Mundo Clássico Greco Romano nos séculos XV e XVI repaginando a cultura da Europa para sempre. Iluminismo e a Revolução Científica no século XVII, Revolução Industrial no século XVII e na contemporaneidade a Revolução Tecnológica que está em curso e temos vivenciando seus desdobramentos profundos e casuais.

Entretanto não podemos nos furtar de elencar o que a face sombria do desenvolvimento trouxe. Ela não aplacou a súplica dos menos favorecidos, e em muitos casos abriu uma fossa completamente abissal entre os que mais têm, ante aos que menos tem e isso incluí os “regimes” com viés marxista que ascenderam ao poder com uma proposta de “ajudar os pobres”. Destaca-se que os regimes capitalistas e socialistas não forneceram soluções para esta sangria, ao contrário, o primeiro é marcado pela competição selvagem e consumismo exasperado, e o segundo uma indústria indiscriminada e antidemocrática de ditadores cruéis e inescrupulosos o que acarretou em milhares de vidas ceifadas, em seus países respectivamente.

O idolatrado conhecimento, colocado em um panteão supremo, sempre foi restrito a poucos, nunca foi disseminado a maioria. E desde os tempos passados, os mais favorecidos tinham acesso facilitado ao aprendizado. Muito embora na atualidade tem-se labutado para a disseminação do conhecimento, mas indubitavelmente as camadas mais pobres já têm na educação de base uma formação destinada à mão-de-obra, primando pela técnica pura, em detrimento da ciência pensante e reflexiva. Enfim perdida em descalabros que as nutrem com ideologias amorfas. Ensinar a pensar é uma educação rara e que vale ouro.

É preciso fazer uma reflexão, e questionarmos a respeito dos ditos avanços e desenvolvimentos que somos levados a crer, por meios propagandistas de governos oportunistas e corruptos, e empresas que objetivam lucros cada vez mais acentuados e dominância de suas marcas mundo afora. Voltarmos para a essência, priorizarmos o saber pelo saber, a sede e ânsia por desvelar os fenômenos naturais, bem como de uma forma sinérgica encurtar a distância cruel e abominável entre os ricos e os pobres em escala mundial. Pensando e pautando as ações não localmente, mas sim globalmente.

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 29/01/2026
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