DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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Textos

As palavras nos traem. As suas representações e significados de conotações metafóricas podem apresentar-se de forma errônea ao especificar algo. Revelam igualmente “capciosas armadilhas” e falácias sem sentido. Representam objetos distintos de naturezas e fenômenos que vão da mais insignificante simplicidade até a extraordinária e intrigante complexidade fenomenológica. Com objeções e exacerbações provocadas pelo emprego, por vezes incorreto dos termos, que impreterivelmente obscurecem o entendimento e a aproximação da veracidade pertinente a um determinado fato, teoria ou fenômeno.

As palavras neste sentido assumem o ingrato papel, de um obstáculo ao conhecimento o que de forma ingrata se põe como eventual barreira ao seu desenvolvimento e florescimento.  Evidente que posto aqui como fruto de um arcabouço científico.

Vistas sob a óptica de obstáculos ao pensamento às palavras podem ser até consideradas vilãs, pois edificam barreiras que por vezes necessitam-se gerações, até serem superadas na sua totalidade. Uma exemplificação do exposto acima é o termo “buraco negro”, cunhado no século XX, para designar quando uma estrela super maciça fica sem combustível. Isto faz com que o seu núcleo diminua, reduzindo drasticamente. Quando ocorre este fenômeno a gravidade da estrela produzida, escapa completamente do controle. Começando a sugar absolutamente tudo o que encontra, nem a luz é capaz de “escapar”, inclusive a massa da própria estrela. A gravidade não suporta as torrentes de energia e a estrela explode (essa explosão chama-se supernova), personificada num evento magnífico e portentoso visto inclusive a “olho nu”. O que resta da extinta estrela é o buraco negro, um corpo “materializado” que não reflete ou emite mais nenhum tipo de luz dada a potência gravitacional. É um ponto onde não se pode mais voltar, o império da “singularidade zero”.  Este exemplo serve para demonstrar e elucidar que o termo “buraco negro”, certamente e objetivamente não tem referência alguma com o termo “buraco”, que conhecemos para designar uma cavidade em uma superfície maciça qualquer, ruptura, lacuna ou falta de matéria “palpável”. Entretanto por infindáveis vezes é realizado um associativismo dos termos, ligando-os de uma maneira leviana, e nos levando a uma compreensão inexata. Fatalística ignorância. Constituindo-se desta forma em um obstáculo, que deturpa um entendimento aproximado e válido pertinente ao fenômeno físico, exemplificado neste texto.

Impreterivelmente, não se pode negar a digna relevância das palavras e suas representações. A humanidade deve muito, para não dizer a sua totalidade do seu conhecimento e a habilidade de expressar-se por meio de palavras, ou até melhor dizendo “a linguagem” o motor primário do “milagre civilizacional”.  A conotação sentimental que as palavras nos transmitem, vão muito além de sua representação fria e logicista. A emoção que se pode transmitir com palavras vão do amor ao ódio, da segurança a ansiedade, da alegria a tristeza, da razão ao fantástico. Enfim! Do caleidoscópico mosaico de sentimentos e informações inerentes ao ambiente que nos circunda, dando forma a nossos medos e dúvidas e inspiração e poesia. Sendo pretensioso em demasia, assevero que as palavras tentam mesmo que vagamente nomear as ideias e sentimento do indivíduo na sua existência terrena.

As palavras e o invólucro que fielmente representam, exercem um papel de verdadeiro antagonismo. Dado que ao mesmo tempo em que é o motor de arranque do nosso desenvolvimento intelectual, constituindo-se em um formidável engenho da humanidade, acabam justamente pela sua intensa maleabilidade e insuperável capacidade de representar, conceitos, ideias, fenômenos e objetos; traindo-nos. Somos reféns de nossos próprios inventos, e acabamos sorrateiramente a edificar a nossa própria “caverna platônica”. E ao tentarmos de uma forma altiva e racional construir pontes que nos levem a novos horizontes, bem como a exponencialização intelectual e compreensiva do mundo que nos circunda. Alicerçamos involuntariamente barreiras de rocha bruta, que em um futuro não muito distante, serão obstáculos dogmáticos alicerçados e bem sólidos. É uma armadilha capciosa! Fatalística! Mas incrivelmente assaz e necessária.

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 23/03/2026
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