DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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Textos

É um tema muito em voga na atualidade a IA (Inteligência Artificial) Generativa. Esta se caracteriza como um braço da IA que concerne na criação de conteúdos personificados em textos, imagens, áudios, vídeos e também códigos de programação de softwares. A IA Generativa difere das demais formas de IA, devido ao fato de que não centra suas ações apenas em uma tarefa específica, ao oposto disto ela tem a potencialidade de aprender com grandes conjuntos de dados coletados. E para isso usa uma estrutura de redes neurais artificiais e aprendizado profundo, com o objetivo de gerar resultados que sejam pautados pela originalidade e criatividade.

Contudo é importante frisar que apesar das benesses que a tecnologia traz para a sociedade há sempre um, porém a ser severamente considerado. Onde a mesma tecnologia que anuncia uma verdadeira revolução na produção de conteúdo digital, também pode ser usada por cibercriminosos a fim de lançarem ataques cada vez mais sofisticados e ousados.

O lançamento da ferramenta Google Veo3 permite adicionar efeitos sonoros, ruído ambiente e até diálogos às suas criações, gerando todo o áudio de forma nativa. É uma ferramenta que potencialmente marca um momento único na democratização da IA Generativa. Evidente que para usá-la necessita de pagamento mensal, mas ao contraponto permite que qualquer usuário que a utilize possa criar vídeos com áudio nativo de qualidade cinematográfica, e isso igualmente incluí diálogos de personagens, juntamente com efeitos sonoros e fundo musical, tudo isso a partir de introdução de promtps textuais, isto é, a partir de texto literalmente escrito. É um aspecto que invariavelmente representa um grande salto de qualidade e coloca uma ferramenta que antes era apenas exclusividade de estúdios altamente profissionais nas mãos dos utilizadores mundo afora, via pagamento mensal e distante a “um click do mouse” por meio on-line.

É sem dúvida alguma uma evolução da IA criativa. Mas, carrega no seu bojo uma realidade de certa forma sombria. A mesma tecnologia que tem no seu seio um ar de transformação revolucionária na produção de conteúdo, poderá igualmente ser apropriada por cibercriminosos  com objetivo de proferir ataques que potencialmente causem danos contra organizações e pessoas físicas. Os deepfakes corporativos ou mesmo pessoais já são uma realidade. Deepfakes consistem em vídeos e/ou áudios que são manipulados de forma digital e que empregam a IA a fim de criar uma ilusão ocular de que uma pessoa está dizendo ou mesmo fazendo algo que nunca disse ou mesmo fez.      

Há indubitavelmente uma evolução de cunho técnico que representa uma mudança substancial de paradigma com o refinamento das ferramentas baseadas em IA Generativa. E com a própria evolução nas aplicações de IA, os vídeos e áudios deepfakes são cada vez mais convincentes, naturais e difíceis de haver uma distinção clara dos conteúdos de multimídia reais. Posto isto, é cada vez mais difícil de haver uma distinção entre um deepfake e a realidade, apenas com o olho humano como detector balizador.

É imperioso destacar que a velocidade desta evolução é algo dinâmico e por vezes surpreende até os próprios analistas. Haja vista que onde antes era preciso ter equipamentos de grande sofisticação e conhecimentos bastante avançados em edição de vídeo e voz e com as ferramentas tecnológicas informáticas simplificaram o trabalho. Com a adoção das ferramentas da natureza do Veo3 poderá criar conteúdo manipulado com uma qualidade de cinema.

Esta facilidade que a tecnologia calcada em IA proporciona, invariavelmente transforma os deepfakes em um desafio e curiosidade tecnológica na qual motiva o potencial atacante mal intencionado.

É imperioso destacar que em vários casos a mentira torna-se uma narrativa mais interessante e atrativa do que a verdade. E principalmente quando a própria mentira conta com requintes de tensão, emoção, drama ou mesmo indignação. Nestes casos o ouvinte é uma presa fácil para "comprar" a falácia. Antagonicamente a verdade na sua gênese tende a ter doses de racionalidade e não é apelativa. A princípio a verdade apresenta-se como “cinza”, mas reveladora e estruturada logicamente. É flagrante que a mentira tem uma vantagem emocional ante a verdade, e neste ponto urde destacar que a verdade deve ser embalada numa narrativa envolvente que possa ser ouvida e retida na memória dos ouvintes.    

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 10/04/2026
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