DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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Por vezes é intrínseco e até pertinaz nos colocarmos como seres únicos e dotados de qualidades fantásticas. Bom! Pelo menos é a opinião pessoal de cada um. Somos inadvertidamente cada qual um mundo a parte e especial, mas vivemos em comunidade partilhando tudo com os demais seres viventes. Contudo antagonicamente ao preposto até aqui, é relevante frisar que enquanto sujeitos desejantes, temos um conjunto de necessidades, e neste caso então, é caracteristicamente um “ser” entregue e carente de outro ou outros seres, para prosseguir e viver. É, portanto importante e assaz dizer que viver sumamente significa “completar-se no outro”, se realizar na outra pessoa, desenvolver-se e crescer em meio a uma ânsia de “algo”, ou “algum outro”. Se tomarmos ao extremo, há sem dúvida que elencar que o metabolismo celular é uma troca dinâmica, às relações sociais são trocas e convivências na comunidade e sem falar dos laços familiares. Porém se atentarmos para o aspecto de que o normal fato de nos completarmos e realizarmos em outra pessoa tem um fundo nítido de realização e satisfação pessoal individualista. O que corriqueiramente nos leva a considerar o sério aspecto de que projetamos em outrem o eu reprimido. É então que entra na baila o desejo humano a vociferar de uma forma significativa eu diria.

Sob o sagaz impulso do desejo, o ser humano sente-se onipotente e há uma premente tendência a se tornar prepotente, o que leva a devorar o outro e a não crescer por meio dele e com ele. É uma dinâmica absoluta que tem um fundo destrutivo e dissipador de caráter e desejo. A onipotência é uma falsa ilusão que criamos em nossas mentes profundamente limitadas. E ao alimentarmos a onipotência torpe, há tons de dinâmica e destruição, onde o desejo nos leva a esquecer quem somos na gênese. Puros e simples seres que estão inseridos na sociedade contemporânea com todos os percalços e alegrias, bem como desafios que se apresentar em cada curva da estrada da vida.

É preciso, portanto não pura e simplesmente ceder tolamente aos vis desejos. Urde ter certo equilíbrio e lucidez nas ações, até nas da vida cotidiana. E para buscar o benfazejo equilíbrio é profundamente imperioso calcular nossas ações, no amplo sentido de ter plena noção do que podemos e fazer e do que não podemos, e consequentemente do que devemos buscar e do que é preciso abandonar, quando se trata de objetivos de vida. Porém nunca temos a sapiência e o conhecimento necessários para fazer as escolhas de forma totalmente assertiva e segura. Tudo porque o desejo cria internamente em nossos pensamentos a vã ilusão da onipotência.

Para fugir desta inexorável paradoxo fatal, é preciso, pôr-se a prova, se arriscar, mas desprovido de presunção. Pois isso leva novamente ao evento cíclico do sentimento de onipotência, movido por nossos desejos insaciáveis. É preciso livrar-se da pretensão na qual dá a falsa noção da totalidade e a completude. Se for o caso é preciso sim corrigir-se e recomeçar. Pois há uma linha muito tênue e modular entre a sabedoria e a ignorância.

Nesta contextualização entra de forma performática e precisa a “filosofia”, como ferramenta para a correção do intelecto humano. Ela revisa os meandros do caráter, é também o aperfeiçoamento do que deu certo e prosperou, e é a vilã no papel de investigadora sobre as razões dos nossos fracassos.

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 17/04/2026
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