David Hume (1711 – 1776), pensador e filósofo; nascido na cidade de Edimburgo na Escócia, naquele tempo o seu território era recém anexado à Inglaterra, formando assim o Reino da Grã-Bretanha, ou seja, a união da Bretanha antiga sob um só país, podemos assim bem o dizer. Hume ingressou precocemente na Universidade de Edimburgo e ao que se sabe tinha idade de doze anos. Lá teve contato com os escritos de Cícero, Virgílio e dos filósofos modernos. Abandonou os estudos de direito e dedicou-se a investigações racionalistas e filosóficas. Sempre preferiu uma filosofia mais racional e de certa forma divorciada de pensamentos que o conduzissem a certa irracionalidade. Hume realizava um questionamento basilar e calcado na razão, quando o assunto era os fundamentos da casualidade e da metafísica tradicional.
Na visão de Hume temos dois tipos de percepções na mente: “impressões e ideias”. Quanto às impressões, elas são experiências sensíveis dotadas de imediatismo e vívidas, perfazem as emoções, dores e percepções diretas do mundo. Já as ideias, são cópias de menor intensidade dessas impressões e que são gestadas pela memória ou pela imaginação. Em suas argumentações, Hume infere que ao vermos repetidamente um evento que se segue a outro, passamos então logicamente a associá-los como um mecanismo de causa e efeito. É um raciocínio que não prova nada, pois, uma sequência de eventos (causa-efeito), não se constitui o bastante para provar que essa relação é necessária. Uma vez que o sol nasce e se põe todos os dias, contudo, não é garantia que isso ocorra sempre, “eternamente”, se personifica apenas como um hábito mental que temos, ao observar tal evento de forma repetitiva e periódica.
Hume explora os limites da razão, onde discorre que esta seminal faculdade não é uma ferramenta autônoma que desvela verdades absolutas, é sim, uma faculdade de tons limitados. Então, a razão é um aspecto que tem sua subordinação a hábitos e repetição dos eventos que observamos cotidianamente. Não podemos ter a ampla certeza sequer de que o mundo externo tem a correspondência ao que temos da leitura da nossa percepção. Dado que a nossa experiência sensível é mediada pelas impressões sensoriais, pautadas pela subjetividade. É sem dúvida um pensamento crítico que põe à prova a própria confiabilidade da indução lógica. Que inadvertidamente questiona por que seria seguro e válido crer que o futuro será semelhante ou igual ao passado, apenas tendo como base aquilo que sempre foi observado a respeito de um evento em si, por mais repetitivo que ele seja.
No âmbito do conhecimento e da filosofia, é possível dizer que Hume demonstrou que a encastelada faculdade da razão tem um papel mais modesto do que sempre foi apregoado. Em que o nosso conhecimento, não é fundamentado na razão, mas sim no costume, no que denominamos de hábito ao associarmos certos eventos a outros que tem como base fundamental na repetição. Hume faz um flagrante deslocamento da gênese do conhecimento da razão, para o costume que desenvolvemos, ou seja, a prática habitual. Ocorre na sua visão o que podemos inferir como uma ruptura de certa forma, e uma transmutação da maneira como a partir daí se lidaria com a filosofia e como a própria filosofia iria tratar questões inerentes a epistemologia nos séculos que estariam por vir até atingir a nossa contemporaneidade.
Portanto os limites da simples razão humana seriam necessariamente um fruto profícuo de um hábito humano. Evidente que é uma visão controversa, quando nos voltamos para dentro de si e imaginamo-nos como seres plenos e dotados de grande potencialidade racional e cognoscível. No entanto o pensamento de Hume na qual filosofou nos põe em severas dúvidas quanto essa poderosa capacidade nata humana para o raciocinar.