A visão do “frei angélico” - cognome do grande São Tomás de Aquino é deveras povoada pela religiosidade característica e marcante do período medieval. Tomás de Aquino é fruto do seu tempo, está perfeitamente inserido no âmago do pensamento em voga na idade média, na qual era extremamente permeado e baseado na religiosidade e filosofia Cristã no ocidente. Contudo Tomás de Aquino verdadeiramente revolucionou o pensamento medieval; tanto para o “bem” como para o “mal” já que na sua obra intitulada de “Suma Teológica”, sedimentou de certa forma logicamente as razões para embasar a crença Cristã Católica e sistematizar o pensamento aristotélico ao saber Cristão. Para isso usou de forma inteligente e deliberada os conceitos lógicistas aristotélicos. Prefaciando o reto pensamento e a estrutura que a lógica assim apregoa e ensina, colocando-os a serviço da FÉ. Contudo é imperioso colocar que Tomás de Aquino delineou também sobre a “inteligência”, aventando aspectos que não somente se restringiam à objetivação final da “salvação da alma”, mas a sua conceituação pura. Estabelecendo um discurso que ia desde a lógica até a metafísica.
Neste aspecto para Tomás de Aquino o tipo superior do ato intelectual é um processo de intelecção de contornos simples. E neste fator então, entre o que se entende por obras da inteligência humana a primeira que se deve isolar para estudo é o conceito. Indaga-se neste ponto de vista de Aquino, primeiramente, como o homem na sua vida na Terra tenta imitar a apreensão superior (divina), e se consegue na prática viver o ideário das realidades postas supra-sensíveis. E após, examina-se o valor especulativo, o campo das ideias das essências materiais que formam e como propriamente diz Aquino “o objeto proporcional de nossa inteligência aqui na terra.”
É somente na função do que entendemos do ser sensível em que a inteligência unida é possível representar o ser no geral ou mesmo o ser supra-sensível. Tomás de Aquino é conhecedor da palavra conceito, contudo o ato puro da inteligência ele chama de “simplex apprehensio”, e o seu produto – a ideia, constitui-se no verbo mental, ou seja, na verbalização da abstração mental que se personifica na palavra (falada ou escrita).
Em se tratando do tangente ao conhecimento natural humano, Aquino bem o diz que este abarca exatamente o quanto o conhecimento sensível o guiará como fiel timoneiro. Já que os princípios basilares do conhecimento e os conceitos gerais das coisas são adquiridos com a ajuda dos sentidos. Na extensão do que se entende como possível dos valores racionais de todo o ser pensante, fica condicionado ao âmago das ideias do supra-sensível, podendo formar juízos existenciais aos seres dessa ordem.
E tudo então que ultrapassa as coisas sensíveis conhecidas pelas pessoas (humanos) somente ideamos mediante a negação. E é daí que vem a impropriedade dos conceitos denominados de analógicos.
São Tomás de Aquino distingue a formação dos conceitos analógicos em momentos. No primeiro momento, não se apresenta como dificultoso, haja vista que, o conceito que funda o conhecimento analógico é no seu todo heterogêneo ao objeto e tem esforço para aprender. O segundo momento é absolutamente imperioso, pois sumariamente consiste em permanecendo toda a representação mental no espírito, condenar via reflexão racional uma atitude mental que tinha no seu bojo, uma condição necessária para a primeira apreensão.