DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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A sociedade regida pela informação consiste numa ideia que rememora a um passado longínquo, perdido nas agruras do tempo. Desde a aurora da civilização e perpassando inclusive por um período anterior, em que o homem dava seus primeiros passos para se sedentarizar. Então o processo ainda incipiente e grotesco de contar foi tomando forma e refinamento. Talvez para contar os rebanhos, os membros do clã, a número de feras que ameaçavam o acampamento, sabe-se lá o real motivo. O fato concreto é que grotescamente contamos desde a aurora dos tempos.

 É, contudo salutar lembrar que o ato de contar e conceber abstrativamente o conceito de unidade, ou seja, número é por demais difícil, e inclusive sociedade atuais contemporâneas que vivem em uma condição cultural isolada do mundo tem dificuldade de efetuar a contagem e a abstração a partir de três unidades. Não é de bom tom que seja qualificado como atraso de tal sociedade, tendo em vista que como indivíduos e comunidade adaptamo-nos a pressões naturais e circunstanciais. E não tendo necessidade de desenvolver o conceito de número e contagem de unidades. Bem! Não o fazemos!   

Porém é um aspecto matematizador que só toma forma já nas portas da modernidade. Mais precisamente nos séculos XVII e XVIII, com a revolução científica em curso, o estabelecimento do método científico de viés mais quantitativo e calcado na exatidão pragmática dos números. É sim um período em que à matemática é entronizada como base modelar do raciocínio e de toda a ação prática. Onde o pensamento humano é enquadrado, quantificado e mensurado, tornando-se então um protótipo de todo o discurso verdadeiro, e tudo o que ficaria fora deste regramento, já a priori seria relegado à falsidade. E de modo que se instaura uma formatação logicista baseada na busca ansiosa pela perfeição, mais uma forma de utopia das sociedades humanas, algo como se fosse o pragmatismo matemático o “Santo Graal” do saber e a do bem estar social.

O momento áureo por assim dizer da materialização da língua dos cálculos, foi o limiar do século XVIII na Revolução Francesa, na qual fez dele um modelo engessado de igualdade cidadã e de valores o universalismo, ou seja, tudo se resumia a números e indicadores.

Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716) foi um proeminente filósofo e matemático alemão e também se aventurou na política. A ele coube um impávido feito de idear abstrativamente e de forma genial, na qual o pensamento pode ser manifestado no interior de uma máquina mecânica. E Leibniz aproximou-se do processo da automatização ao elaborar uma aritmética binária, algo muito íntimo e próximo do que George Boole idearia já nos anos 1800. A aritmética binária de Leibiniz serviu para ele elaborar a “máquina aritmética”, que consistia numa calculadora, melhorada em relação aquela construída por Blaise Pascal.

Sob o ponto de vista da matemática pensada por Leibniz tenta dar conta dos subconjuntos, das relações, das complexidades e suas implicações filosóficas. Dentro deste contexto e emaranhado processo ontológico matemático, Leibniz constitui de modo independente a Sr. Isaac Newton o famoso cálculo diferencial e o cálculo integral, em que teve a funcionalidade de reduzir a um procedimento algorítmico as operações do cálculo infinitesimal.

É importante frisar que o aspecto premente da matematização da vida, que teve um acentuado desenvolvimento nos séculos XVII e XVIII, buscou nos métodos matemáticos do cálculo mais rápido, encetando responder às exigências da formação do desenvolvimento do capitalismo moderno que já tomava forma naquele período. A se destacar ás operações mercantis além-mar que frutificaram com o alargamento do comércio modelado pelo advento das grandes navegações. É um tempo em que emerge um mercado cada vez mais global; tendo uma franca necessidade de coleta de dados de transações mercantis, arquivamento e tratamento burocrático pertinente aos negociantes, credores, clientes, financistas e especuladores.

Destaca-se também que o cálculo das longitudes e latitudes para viabilizar as navegações de longa distância, edifica-se num laboratório interessante para buscar aperfeiçoar o mecanismo relojoeiro, na qual se personifica como um ancestral do artefato programável, que viriam a serem as máquinas de calcular da contemporaneidade.

O culto ao número e os seus frutos são um legado efusivo do que foi gestado nos séculos XVII e XVIII, em que se buscava a segurança pragmática dos cálculos com numerais, para alavancar não somente atividades metodológicas científicas, mas igualmente o incipiente capitalismo.

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 05/06/2026
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