A ética é um dos campos basilares de estudo da filosofia, e juntamente com a estética, a política, a metafísica, a lógica e a epistemologia fazem parte do grande quadro das investigações sobre o saber humano e suas relações sociais. Formando um corolário do que se entende como base do conhecimento e sabedoria humana no grande conjunto da filosofia. A ética é o ponto de partida para buscar minimamente entender nossas relações humanas e lugar no Cosmo. Fato sabido que vivemos no seio de uma sociedade e que de certa forma somos filhos e dependentes das relações sociais de tal comunidade. Um homem habita e vive no seu tempo, não há como julgá-lo sob pretextos funestos das suas ações passadas com o estrito olhar e valores do presente, em que pesem evidentemente questões valorativas pétreas.
Colocado aqui de forma simplória e até superficial, podemos inferir que a ética constitui-se num aspecto reflexivo, onde per se se questionam ações e conceitos. Os últimos são objetos que compõe o que chamamos de moral.
Dentro deste contexto a IA (Inteligência Artificial) entra em discussão dado que novas aplicações computacionais e tecnológicas estão inevitavelmente postas a prova moralmente sob o escrutínio da sociedade.
Contudo, quando partimos para um campo mais prático e de certa forma deixamos de lado por um instante às questões de cunho filosóficas que tanto nos admoestam a mente. A temática da segurança, ética e governança em IA sofre ação imediata de uma enorme quantidade de desinformação e falta de entendimento genitor. E quando é realizada a implementação da IA de forma prática, num sistema computacional, voltado para a realização de uma (s) tarefa (s) específica (s), urde fazer três ponderações inescrutáveis e totalmente assertivas para o bom andamento do processo e inclusive angariar o seu sucesso.
No primeiro ponto destaca-se que deve haver uma intencionalidade apropriada. Não há como imputar a IA códigos humanos de ética. Haja vista que conforme bem aventamos a ética é à análise reflexiva do que é certo e o que é errado. O ponto diferencial entre a IA e os seres humanos é que nós temos intencionalidade e a IA não tem. E a intenção necessita passar pelo raciocínio e perspectiva da ética. Muito embora haja já hoje aplicações que timidamente objetivam estruturar e escrutinar às intenções humanas. Objetivamente falando, às aplicações baseadas em IA executam tarefas “friamente” e via processo de comandos, agindo como entidades manipuladas por um terceiro, normalmente um agente humano.
Outro ponto é os algoritmos serem necessariamente explicáveis. E isso passa pela etapa de construir algoritmos que tenham a potencialidade de explicar como às decisões são tomadas por ele. E isso não ocorre atualmente com os algoritmos de IA, eles são letra morta e sua capacidade sapiencial suprema reside na cabeça dos seus projetistas, por mais compartilhado que esse conhecimento seja ainda é um empreendimento essencialmente humano.
E por final, é imperioso aventar para o seguinte aspecto: o que porventura ocorrerá se uma aplicação de IA correr muito bem no âmbito da empresa. Quando os projetistas e engenheiros da computação constroem sistemas baseados em IA, já no próprio escopo do projeto, passando pela sua execução e colocação para o mercado, ensejam identificar e paulatinamente ir mitigando possíveis falhas. Portanto é preciso questionar o seguinte: o que acontece ao programa de IA superar avantajadamente o seu objetivo para qual foi criado? E que fatores tanto de governança, de segurança e ética devem ser aplicados neste caso? Será que aspectos éticos calcados na filosofia clássica aplicam-se? Bom! São perguntas que não há uma resposta imediatista e assertiva na sua plenitude até o momento.