As palavras fazem ninho na mente do poeta,
São resquícios de uma existência insuportável,
Lôbrega por definição secreta,
Fingidora e fugidia,
Assim passam as primaveras,
Os longos anos e os díspares dias,
São marcas indeléveis do impávido tempo.
E no aconchego das palavras existo,
Não simplesmente um existir terreno,
Corpóreo e malquisto,
É uma perenidade sutil,
Formosa e cheia de emoção,
Transcrita em linhas graciosas,
Com o rico cenário,
A promover sensações até senis,
Algo como o deslumbramento do firmamento anil,
A se abrir ante os olhos ávidos,
O arregalar-se no sonho retumbante,
Com a linha do horizonte distante,
Como guia para a vida ávida do bem querer.
Em linhas sôfregas tento enfim descrever,
A manifestação pura, natural e certeira do amor,
Pobre poeta que lamenta sua sina,
E nas doces vozes melódicas do ardor,
Aprisionar a inviolável significância do amor,
Num devir apaixonante,
Tomado pelo vento sul,
A trazer o revigorante frescor,
E encantar o quadro natural.
Pinto palavras,
Soltas aqui e ali,
Agrupadas em tolas orações,
A comporem um fraseado cabal,
Que busca definir,
No simples expressar seminal,
O sentimento.