DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

A unificação de uma sociedade entorno de um Estado centralizador tem lá suas severas nuances e obviamente infere consequências funestas e letais ao povo. Contudo é sim configurado como um mal necessário, quando se leva em conta a sublime e vital questão da sobrevivência humana. Não se pode negar igualmente o amplo leque de possibilidades que se abrem quando nós, humanos partilhamos do mesmo espaço "físico" e interagimos mutuamente sob forma de troca de experiências vividas e cooperadas. É a cultura na sua forma bruta e basilar que brota dali e frutifica com uma fluidez incalculável, passando de geração para geração. Contudo o "grande Leviatã", (Estado) igualmente cresce em sanha e avidez. Quando o filósofo inglês Thomas Hobbes concebeu sua célebre obra intitulada de "O Leviatã", teorizou o Estado como um monstro que alimentado pelos seus súditos, cresce em tamanho e “apetite”. É possível, no entanto conjecturarmos que o Estado com poderes praticamente ilimitados, atinja tal magnitude e poder, e vorazmente, acabe por devorar o povo que o gestou e alimentou-o literalmente com o “suor do rosto”.

Contudo torna-se imprescindível para garantir minimanete a ordem e consequentemente a sobrevivência humana, certa organização estatal, podendo neste contexto ser um motor para o progresso da sociedade, bem como garantias de segurança e soberania ao povo o mantenedor de tudo. Aventa-se que a situação deplorável de guerra civil é um estado natural humano, é a eterna luta de todos contra todos num espiral sem fim. Personificado no sentimento que temos de culpabilidade materializado em várias religiões, inclusive nas Cristãs. É então um estado que só poderá ser restaurado e evitado pela instituição de um governo centralizador e forte. E isso é o que apregoa e encarna a o Leviatã de Hobbes.

Como sugestão teórica, Hobbes defende a majestade da monarquia como um regime ideal para o Estado, onde o monarca senhor absoluto e imbuído de virtude no seu modus operandi "conduz" a nação, num governo justo e benéfico. Entende-se neste ensejo a respeito de “virtude” e "homem virtuoso", um indivíduo que dê o melhor de si em todas às situações, expressando um comportamento moral e ético impávido e impoluto. Ora bem, sabe-se que na prática é algo praticamente impossível de ser atingido. Contudo, Hobbes apostava firmemente na formação pedagógica e moral do governante desde a tenra idade para quando assumir as funções de monarca pôr em prática e agir de forma virtuosa na magnitude do termo. Ou seja, a preparação para ocupar o cargo de “gestor máximo” é preciso ter formação cultural e educacional supremas.

Hobbes é considerado um dos fundadores da filosofia política moderna. Igualmente um dos mentores da teorização do Estado enquanto máquina estatal e agente aglutinador das pessoas em comunidade.

Posterior a Hobbes, temos o filósofo suíço Jean Jacques Rousseau, que na sua obra intitulada de "Contrato Social", também teoriza a respeito das funções e origem do Estado.  Para Rousseau o Estado é imprescindível, é um agente emancipador da pessoa. Onde o Estado surge como parte de um contrato que o povo firma com o governo em que abre mão de sua liberdade primitiva, em troca de "proteção e segurança". É uma opção que às pessoas fizerem lá em tempos remotos, onde viviam livremente em estado praticamente natural, sem  maiores preocupações cotidianas e sem regras de obediência comunitárias. Contudo, o homem primitivo era preza fácil para predadores sejam eles do meio natural ou demais homenídeos rivais. Então surge o Estado como aparato protetivo e que em troca assume de certa forma os destinos das vidas dos seus súditos ofertando segurança.

Evidente que são visões interessantes a respeito da gênese formacional do Estado e suas nuances. O que fica é que o Estado inexiste sem o povo que é seu esteio basilar e âmago existencial. O povo personificado como seu fiador e financiador. Aspectos estes que dentro da contextualização contemporânea justificam ainda mais os termos democráticos e liberalistas.

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 09/07/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários