DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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Desde os tempos remotos que remontam o período grego clássico há 2.500 anos, o termo ciência, physis e conhecimento dominam os debates filosóficos, tomando horas de diálogos, debates, objeções, contrariedades e dogmatismos. O refinamento da linguagem e suas sagazes armadilhas deram um impulso inicial, porém ardiloso a isso, fazendo com que caíssemos em "sofismas" inócuos sem uma objetivação racional mais assertiva e plena. Os gregos Sócrates, Platão e Aristóteles, apenas para nos atermos à tríplice que não só impactou e praticamente criou a filosofia enquanto corpo de conhecimento estruturado, mas igualmente lançaram às bases sólidas para outras áreas do saber, como dialética, epistemologia, metafísica, biologia, lógica; para citarmos as principais e diretamente envolvidas. Argumenta-se inclusive que toda a filosofia ocidental moderna seja uma nota de rodapé de Sócrates, Platão e Aristóteles.

Contudo é importante destacar com veemência que o termo ciência para os gregos assumia outra significância do que o tem atualmente. Os gregos não eram dados à experimentação, mas tinham uma propensão nata para a especulação, o diálogo e o exercício do que entendemos como "filosofar", nutrindo um "amor" pelo saber, somado a uma curiosidade sobre o mundo, até então "dominado" pelos deuses e mitologia. E a ciência englobava todos estes aspectos, envolvendo a arte do diálogo (verbalização), linguagem e os mistérios do Cosmos. Entretanto não consideravam em materializar os seus experimentos mentais sob o ponto de vista prático.

No entanto há indubitavelmente na contemporaneidade, o aspecto em que a ciência assume uma roupagem e significância diferente, até pode-se dizer com certo conforto - "antagônica".  Isto porque, nas portas do século XVII principalmente com Galileu Galilei, inicia a experimentação das hipóteses puramente conceituais e que seriam então postas sob o jugo e escrutínio do "experimento prático". Somando-se então a quantificação matemática dos resultados e a comparação com as deduções racionais hipotéticas, para somente então formular cambaleantemente a teoria que explicasse o fenômeno sob o prisma matematizante. Estava posto na baila o "método científico" que foi o nascedouro da ciência moderna. Evidente que com as obras de Francis Bacon, René Descartes e sua pequena, mas impactante obra “Discurso do Método”, e após com Isaac Newton, a ciência assume um protagonismo ímpar na história da humanidade. Aspecto em que a razão foi posta a serviço não somente da abstração em si, mas igualmente da catalogação, quantificação, estatística e análise da experimentação prática, objetando teorizar e dar uma explicação para uma problemática posta como "mistério natural". Portanto, às evidências na qual a ciência apóia suas hipóteses é fundamentalmente racional e matemática.

Hoje a ciência de certo modo foi posta num altar supremo, lugar comum sem igual, isto, pois, recorremos a ela para praticamente toda e qualquer explicação sobre o desconhecido. E aventa-se inclusive que a ciência assumiu um protagonismo de religião. Mas se a ciência for alçada a um patamar de religião, obviamente deixa de ser ciência e passa para o campo da teologia, resguardada sob a opaca armadura do dogma racional. Pois a ciência é um empreendimento puramente humano, está atrelada a cultura da civilização ocidental (principalmente) e constitui-se numa tentativa franca de encontrar respostas para nossa posição no Cosmos e explicar tudo o que nos cerca e influencia às nossas vidas.

A ciência é uma forma de ver o mundo, pois está atrelada ao método experimental científico e abnega-se do princípio da autoridade, passa para o campo da racionalidade plena, onde se questiona o tempo todo às próprias verdades científicas que ela mesma formulou. As teorias científicas que foram submetidas ao jugo do questionamento e teste racional - experimental, invariavelmente estão sujeitas a novos julgamentos e contraprovas que as coloquem na berlinda.

 A ciência na atualidade nos deu considerável grau de progresso com os seus produtos e subprodutos que são sentidos e experimentados na tecnologia e saúde, por exemplo, dominado o meio natural, aumentando a expectativa de vida e tornando nossa vivência diária muito melhor, exponenciando a sua qualidade. Contudo, ainda há muitas respostas para nos dar, e que talvez até esteja fora do escopo e alcance da ciência, tais como o porquê os fenômenos naturais na sua magnitude ocorrem. 

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 24/07/2026
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