DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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Nossa casa solitária pessoal constitui-se no abrigo interior é o refúgio dos pensamentos e emoções. É um devir absoluto na qual age como um paradigma em que edificamos nosso ser e tudo o que somos enquanto pessoas pensantes e críticas. Devemos nos defender com “unhas e dentes” de ideologias radicais e totalitarismos que preguem um dogma nocivo que nos aleija racionalmente e prejudica o fabuloso e intrínseco ato de pensar, algo que é maravilhosamente humano, único. Caso contrário, a nossa emancipação social humana ficará severamente comprometida e corre severo risco de perecer por inanição. Pois ante uma sociedade amplamente conflituosa na qual é a tônica da contemporaneidade, urde ter um pensamento pautado na tolerância, na lógica e na criticidade. Nunca talvez se necessitasse mais do saber filosófico do que hoje em dia. E antagonicamente nunca este tema foi tão relegado e desprestigiado.

 O diálogo dialético é necessário e pertinaz, contudo, as mentes devem estar preparadas, caso contrário, de forma banal e frugal, caímos no limiar das falácias sem fertilidade. E como fatal consequência propaga-se a miséria do pensamento e não se agrega nada, ipsis litteris.

Todo o processo epistemológico de mutabilidade da pessoa, onde se pode classificar como o grande “salto epistemológico” na qual mudamos de patamar sob o ponto de vista da intelectualidade, dá-se e não há outra via, pelo livre e aplicado exercício da razão. E onde o sapere, o estudo reflexivo e humilde entram em cena no divino ato de cognoscer. Ter a consciência de que não se sabe de nada é seguramente o primeiro passo para o refinamento pessoal e tentar tateando buscar um lugar ao sol, ensejando  desvendar os mistérios da existência, da ciência e de tudo enfim. Buscar a satisfação plena quando se alcança um degrau maior na gigantesca escada que se eleva ao magno Olimpo do  saber.

Performando aqui sob uma óptica puramente metafórica e fazendo o uso de figuras de linguagem em tom puramente frasal que beira a poética, há à porta como parte fundamental da casa do saber. Pois é por ela (porta) que passam todos os pensamentos e elucubrações que insopitavelmente temos a respeito de tudo. A porta projetada na parte frontal da residência solitária da colina que se eleva no horizonte abre-se para o mundo e intenta revelar parte do seu interior rico e desafiador.

Apenas podemos tatear filosoficamente e racionalmente o sentido da vida quando, quando temos uma compreensão consciente das coisas, quando tomamos moralmente a consciência de quem somos sob o ponto de vista individuado. Em que pese o fato áureo de vivermos no seio de uma família e consequentemente da “genes” maior, isto é, da comunidade que estamos inseridos e que dela nos nutrimos. É deveras um ponto relevante para atingirmos a felicidade, a objetividade do existir, pautado também nas ações não apenas racionais do dia a dia, mas também exercer a virtuosidade. A racionalidade é uma faculdade humana na qual advém da nossa mente e expressa nossas escolhas livres que nos permitem existir enquanto cidadãos. A racionalidade nos permite perceber as leis da natureza que regem o mundo físico em que estamos presos. Ela é uma questão  ferramenta abstrata que é independente da materialidade, algo muito mais do que meras conexões sinápticas que são o produto de relações químicas e biológicas que pululam em nosso cérebro. O que é a racionalidade, a capacidade artística, a criatividade, enfim as faculdades mentais humanas, ainda são um desafio para a ciência explicar nos seus detalhes, e sob um ponto de vista metodológico e sistemático, nos padrões expressos pelo método científico. Algo que me faz pensar a respeito da dualidade cartesiana (René Descartes), na qual dividia o homem em mente e matéria, algo como duas substâncias diferentes. “Penso, logo existo”. Já dizia Descartes, reflexão sua onde condiciona o ato de existir ao ato de “pensar”, portanto a matéria existe independendo de haver ou não sentimento contido ou associado a ela. E, portanto para a matéria existir na sua plenitude, precisa estar associada ao ato racional do pensar ou refletir. Apenas podemos elucubrar estes aspectos aqui exposto ao som de um devaneio gostoso e certamente “louco”. Então a racionalidade se personifica como a porta para a descoberta o desvelar e trazer à tona os mistérios que sempre nos assombraram e nos devoram no mar profundo da dúvida.

E dito isso! A porta se abre para o mundo exterior num esplendor de tons, cores, sons e sabores, revelando o que estava a priori escondido. Algo também levado a cabo pela sutil intuição humana.

Revelador!

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 21/08/2026
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