DANIEL MARIN
Ninguém é uma ilha cerceado em si próprio, somos fruto de uma intrincada cadeia de interações.
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Nos trilhos da infame razão

 

Lógico!

Para minimamente falarmos de razão, é imprescindível que tratemos da lógica como mote.

A razão sempre foi objetivo a ser perseguido por quem vislumbra, mesmo que parcamente alcançar uma capacidade cognitiva “superior” e angariar a sabedoria. Já bem dizia o filósofo pré-socrático grego de nome Parmênides no seu poema, na qual a personagem maior “a Musa” lhe fala sobre os mistérios de tudo. É uma obra obscura, talvez até no seu tempo praticamente ninguém entendesse sua real significância. Afinal de contas! Tudo no fundo é a mesma coisa, na concepção de mundo de Parmênides. Ele introduz um pensamento em que o ser e o não-ser são autonegação e anulação um de outro. O que resta como farol final é o LOGOS, personificado na abstração da razão.

Dizer que a razão move o mundo das ideias é algo talvez por demais abrangentes. É certo exagero, pois somos sabidamente seres racionais com pensamento limitado e uma compreensão bem parcial de tudo o que ocorre no UNIVERSO. Dado pelo simples fato de que especulamos e teorizamos dados e experiências, sejam elas científicas ou de pura empiria, sensibilidade e emoção. Tudo isso perfaz apenas 4% de toda a matéria que compõe o cosmo. E quanto aos outros 96%? Bom, concretamente nada se sabe esse respeito, o que impera é a total miopia racional.

O que se pode inferir é que há uma total ausência de evidência a respeito da massiva maioria da matéria que compõe tudo o que nos circunda. Estamos pobremente e formalmente ignorantes, “presos” numa realidade parcial e inverídica, talvez? O que nos leva a conjecturar sobre a existência de universos paralelos, realidades igualmente paralelas que são impossíveis de fisicamente experenciarmos. Não se deve assumir então uma posição dogmática e firme a respeito do edifício sapiencial humano, pois num triz, ele pode muito bem desmoronar e literalmente retornar a “estaca zero”. Seria um infame desfecho!

Entretanto, não tem como tocar no assunto da razão, sem abordar a área do conhecimento que abarca o campo da lógica. A lógica é parte fundamental para construir os trilhos da razão. Ela enseja dar um regramento para o pensamento, ou seja, literalmente colocar as ideias em ordenamento, para melhor contribuir na arte do pensar e abstrair conhecimento ante qualquer argumentação, sensação ou observação. A lógica personifica-se como uma base estrutural regimental que é composta de várias áreas, serve para exponenciar a capacidade de dedução da pessoa e no processo de inferência.

Dizem às fontes históricas que o estudo da lógica iniciou lá na Grécia Clássica, a mais de 2,5 mil anos atrás. Quem primeiro tentou empregá-la foi o filósofo Zenão de Eléia. O seu objetivo era dar certo regramento e roupagem de concisão ao discurso dialogar, visto que nem sempre as pessoas arrazoavam claramente e objetivamente dentro de um assunto o seu ponto de vista. Isso era fundamental naquele tempo, pois vivia-se num contexto social e político em que a participação do indivíduo “livre” era fundamental no processo de gestão da cidade-estado. Portanto era fundamental que a pessoa soubesse se expressar verbalmente, na forma de escrita e entendesse os diálogos além dos processos decisórios da comunidade em que estava imbuído.

No entanto Zenão de Eléia, não passou muito disso, especulou e em certo aspecto fundamentou a lógica, mas não lhe deu um corpo de conhecimento teórico matricial. Isto coube a Aristóteles de Estagira, o discípulo de Platão.

Aristóteles pegou o conhecimento de Zenão e o exponenciou. Deu regras para a lógica e a constituiu como corpo de conhecimento. Em outras palavras transformou-a em ciência do raciocínio. Ele teorizou e colocou-a em leis gerais. O silogismo aristotélico na qual prevê que duas premissas intrincadas (argumentos categorizados), resultam em uma conclusão. Apenas é um exemplo do regramento estrutural aristotélico. Aristóteles lançou a concepção e teoria do que é argumento, premissas, categorias, conclusões, dedução, indução e as demais partes que compões o que denominamos de lógica aristotélica. A lógica fundamentada por Aristóteles vigorou praticamente até aos anos 1500, quando foi paulatinamente substituída pela lógica matemática. Importante dizer que a lógica matemática é baseada francamente na aristotélica, pode-se até conjecturar que é um prolongamento seu.

Justamente para podermos fazer bom uso e conseguirmos extrair o máximo da razão, é preciso estudar os conceitos logicistas. Eles indubitavelmente nos deixam mais “inteligentes” literalmente. Pois, a lógica não é um fim e si mesma. Ela não se constitui numa ciência com uma finalidade específica como a biologia que estuda a vida em toda sua magnitude ou a física que estuda os fenômenos naturais físicos do universo. Pelo contrário, a lógica é uma base do pensar correto. Ela pode ser usada em todas as ciências como processo inferencial e dedutivo de pensamento.

Daniel Marin
Enviado por Daniel Marin em 04/09/2026
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