Linguagem, pensamento e mundo
Wittgenstein foi um filósofo austríaco naturalizado britânico. O seu nome completo era Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951) fez grandes contribuições nos campos da lógica, filosofia da linguagem, filosofia da matemática e filosofia da mente. Em uma das suas célebres proposições filosófica Wittgenstein diz o seguinte: “Sobre o que não se pode falar, deve-se calar”. Ele foi sempre econômico no quesito palavras quando compunha seus aforismos filosóficos, na qual marcaram profundamente a seu pensamento. E a sua obra Tractatus permanece como um sutil e complexo desafio à reflexão filosófica e sobre as relações que inadvertidamente permeiam a linguagem, o pensamento e o mundo. Performando então numa verdadeira tríade, dentro do qual existimos no espaço-tempo. Ele deu evidentemente grande ênfase para a questão dos signos dentro do contexto da linguagem humana e da nossa própria compreensão textual e dos termos, aventando que às grandes questões e impasses da filosofia, nada mais seriam do que “mal entendidos” da linguagem. Em outras palavras - a falta de capacidade de compreensão e expressão linguajar a que somos hora vítimas e hora autores, dá forma a nossa própria ideia de mundo e meios de ação, seja no campo prático ou conceitual abstrato.
Não há sombra de dúvidas que a linguagem é um processo social e de aquisição de experiências vivenciadas no seio da comunidade. Pois é fato comum que quando nos referimos a linguagem como meio absoluto de comunicação e égide suprema da forma de transmissão de saberes, temos em mente o interlocutor, ou seja, o próximo. Contudo há um antagonismo premente neste aspecto na qual estabelece-se uma relação puramente cíclica, pois quanto maior for o desenvolvimento da linguagem, maior será a capacidade lógico-dedutiva-abstrativa da pessoa, e assim vice-versa. A linguagem dá asas ao pensamento e a imaginação, cria mundos e move fantasias para um lugar comum da plena realização e frutificação dos saberes.
Deveras as palavras nem sempre tem o vital poder de traduzir os sentimentos humanos mais caros. Ou mesmo expressar na questão amalgamadora os conhecimentos mais tecnificantes e racionais. E é justamente por isso que normalmente às leis científicas mormente são expressas em cadeias equacionais de tons matemáticos. Portanto se recorre aos rigorismos e preciosismos matemáticos para retratar um fenômeno natural, como por exemplo o calor, a gravidade, etc. Estes são questões fenomenológicas que têm a sua potencial aplicabilidade viabilizada via expressões equacionais matematizadas. Contanto que retratem o mais próximo possível da “realidade” experenciada por intermédio do método científico e seus desdobramentos racionalmente postos e testados, à linguagem matemática (dos números e algébrica) é válida. E universal, não precisando de adequações interpretativas, afinal de contas, 2 + 2 é 4, em qualquer lugar no mundo.
Já no tangente à linguagem gramatical (regramento estrutural que forma uma determinada língua), está presa de uma forma mais densa à sua própria cultura que a criou. Então há sim uma discrepância fundamental entre questões de fonologia, semântica, sintaxe e morfológica de uma família de língua para outra, com por exemplo, das línguas latinas para às germânicas; ou vislumbrando uma amplitude maior, da família de línguas indo-europeia para a das línguas nativas do continente americano. Daí surge a fatal problemática de traduzir conceitos por vezes complexos e carregados de terminologias pitorescas de cada língua. Então se isso torna-se algo deveras dificultoso para o meio vivencial diário, quiçá para o ramo da ciência por exemplo. A linguagem gramatical tão rica e povoada por termos complexos e maravilhosos, pode se tornar uma barreira quando pensamos em temas científicos e altamente abstratos. Contudo pode restringir-se numa descrição cinza e sem vida! Já que a poesia por exemplo usa e abusa do regramento gramatical para emocionar e provocar insights reflexivos.
A descrição do mundo sob um ponto de vista científico, teológico, artístico e especulativo, abarca não somente de forma crua restritivamente o pensamento racional e matemático, mas traços significativos e sensitivos de um olhar transcendental expressado linguisticamente.